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O Censo 2024 em números: 10,2 milhões de matrículas e 5 milhões de calouros

O Censo da Educação Superior de 2024 registra 10,2 milhões de matrículas e 5 milhões de ingressantes. Os calouros cresceram 27% em três anos, os formandos ficaram onde estavam, e 8 em cada 10 alunos estão em instituições privadas.

Por Luiz Miguel · publicado em 13/10/2026

O Censo da Educação Superior é a contagem oficial que o INEP faz todo ano de cursos, vagas e alunos. A edição de 2024 é a mais recente que carregamos, e este post junta os números que mais ajudam a entender o tamanho do sistema.

O total de matrículas que calculamos, 10.227.266, difere em 393 do publicado pelo INEP (10.226.873). É uma diferença de 0,004%, e é essa conferência que fazemos a cada carga.

O funil, de ponta a ponta

Em 2024, contando todos os cursos de graduação, presenciais e a distância:

  • 23,7 milhões de vagas oferecidas
  • 15,7 milhões de inscritos nos processos seletivos
  • 5,0 milhões de ingressantes, que são quem de fato entrou
  • 10,2 milhões de matrículas ativas
  • 1,3 milhão de concluintes

Os números não se leem como uma fila única. Vagas e inscritos contam ofertas e inscrições, não pessoas, e a mesma pessoa pode se inscrever em vários cursos. O número de vagas é puxado por cursos a distância com oferta muito grande, o que explica a sobra que analisamos em vagas ociosas no ensino superior.

Três anos de diferença

Comparando com 2021:

  • Ingressantes: de 3,95 para 5,01 milhões, alta de 27%
  • Matrículas: de 8,99 para 10,23 milhões, alta de 14%
  • Concluintes: de 1,327 para 1,334 milhão, praticamente o mesmo

Quem entrou cresceu bem mais do que quem saiu. Isso não quer dizer que a evasão aumentou. Os concluintes de 2024 são pessoas que entraram anos antes, quando havia bem menos calouros, e os calouros de 2024 só vão se formar daqui a alguns anos. Comparar as duas pontas de um mesmo ano não mede a taxa de conclusão, e o Censo deste ano não permite calcular esse número.

O que o crescimento dos ingressantes tem de marcante é a origem: em 2021, 63% dos calouros foram para cursos a distância, e em 2024 são dois em cada três, como mostramos em dois em cada três calouros escolhem EAD.

Quem oferece: oito em cada dez alunos estão em instituições privadas

Das matrículas de 2024:

  • 62,3% em instituições privadas com fins lucrativos
  • 17,5% em privadas sem fins lucrativos
  • 12,9% em federais
  • 6,5% em estaduais
  • 0,3% em municipais e 0,4% em instituições de categoria especial

Somando, as privadas têm 79,8% das matrículas e as públicas, cerca de 19,7%. Por trás disso há 2.546 instituições e 43.509 cursos com aluno matriculado em 2024.

As maiores áreas, e para onde cada uma foi

Pela classificação que o Censo usa, as áreas com mais matrículas em 2024, e a variação desde 2021:

  • Pedagogia: 888 mil, alta de 12,7%
  • Administração: 653 mil, alta de 5,2%
  • Direito: 653 mil, queda de 7,0%
  • Enfermagem: 478 mil, alta de 23,1%
  • Sistemas de informação: 420 mil, alta de 75,4%
  • Psicologia: 376 mil, alta de 29,5%
  • Contabilidade: 323 mil, queda de 4,7%
  • Medicina: 284 mil, alta de 26,5%

Administração e Direito ficaram empatadas em torno de 653 mil. Nessa lista, só Direito e Contabilidade perderam alunos. Pedagogia segue como a maior, com quase 900 mil.

O que mais cresceu e o que mais encolheu

Entre as áreas com pelo menos 50 mil matrículas em 2024:

  • Engenharia de software: de 21 mil para 70 mil, alta de 232%
  • Sistemas de informação: de 240 mil para 420 mil, alta de 75%
  • Ciência da computação: de 77 mil para 127 mil, alta de 65%
  • Biomedicina: de 130 mil para 202 mil, alta de 55%

E entre as que tinham pelo menos 50 mil em 2021:

  • Engenharia civil: de 206 mil para 167 mil, queda de 19%
  • Serviço social: de 136 mil para 117 mil, queda de 14%
  • Matemática (formação de professor): de 98 mil para 86 mil, queda de 12%

Um aviso sobre esses números: o Censo agrupa os cursos numa classificação própria, e a área "Sistemas de informação" inclui cursos de nomes diferentes, como Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Parte da variação entre anos pode vir de cursos que mudaram de nome ou de classificação, e não só de alunos que mudaram de curso.

O que isso muda para quem escolhe

Para ver o tamanho de um curso específico, a busca mostra as matrículas do Censo na ficha. As páginas nacionais, como Pedagogia, Direito e Sistemas de informação, mostram como cada área se distribui pelo país.

Todos os números vêm do Censo da Educação Superior do INEP, edições de 2021 e 2024. Contamos cursos de graduação, presenciais e a distância. Para a matrícula de cursos a distância somamos as linhas por município, e não a linha nacional, que traz fluxo zerado.